Por que os diferentes tipos de cultura têm dois pesos e duas medidas em Farroupilha?
26/08/2019 18:02 em Crônicas

Farroupilha parece caminhar para traz com as decisões (ou falta delas) que vem acontecendo quando falamos de cultura, ou se parar para pensar, está caminhando em direção ao que todo o resto do país vai. O munícipio de colonização italiana, tem toda uma cultura em torno disto, o que sem dúvidas tem de ser mantido por muitos séculos, mas não é só esta cultura que temos em Farroupilha, existem muitas outras que nossas autoridades parecem não enxergar, ou pior ainda, não dar a mínima importância.

O patrimônio histórico arquitetônico pode ser qualquer edificação que represente parte da história local de uma cidade ou município. A primeira coisa que se destaca quando se faz uma visita a algum lugar, são os prédios históricos ou as construções que de alguma forma representem ou trazem em suas características pistas sobre a história da localidade visitada e de seus habitantes.

Esses patrimônios despertam o interesse, instigam a procura por mais informações sobre o lugar, representam a materialização da cultura de uma localidade, além de trazer em suas características e no estilo a história das pessoas que o construíram. Infelizmente, em geral, a maioria dos patrimônios não são vistos com tão bons olhos pelas autoridades.

São conhecidas as histórias e frequentes os casos de descaso, demolições e abandono de prédios que são verdadeiras testemunhas da história local, e que fazem a importante ligação entre a população e sua identidade cultural.

É também cultura a arte de contar a história e preservar a memória e os bens culturais materiais e imateriais, por isso museus e centros de pesquisa e memória são tão importantes para a manutenção e a propagação da cultura brasileira, não só para os próprios brasileiros, mas para toda a humanidade.

É histórico o descaso com a cultura no Brasil, mesmo que se tenha crescido em alguns aspectos e aumentado a arrecadação para fins culturais, como é o caso da Lei Rouanet, porém ainda estamos aquém do minimamente necessário. Porque ainda não rompemos a ideia de que isto é gasto, quando na verdade é investimento. Os investimentos em cultura e preservação do patrimônio e da memória geram resultados em educação e em diversas outras áreas. Uma pessoa que acessa a diversidade cultural brasileira em sua amplitude e pode conhecer a história do Brasil, com certeza se posiciona de outra maneira diante de suas responsabilidades como cidadã, o sentimento de pertença transforma sua consciência territorial e afetiva em relação ao nosso país.

É claro que não podemos ser contra o progresso, ou esperar que tudo continue para sempre como está, pois o desenvolvimento não pode ser parado. É evidente que nossas cidades devem se modernizar, que novas construções devem surgir e a paisagem mudar, mas o que não deve nunca deve ser deixado de lado é a preservação do patrimônio histórico, pois ele representa a materialização da nossa história e da identidade cultural coletiva. A perda do patrimônio representa a perda da história e da identidade, o que pode ser preocupante, pois a história do nosso município e do local onde moramos é única e insubstituível, e a destruição das suas representações materiais representa o esquecimento de parte da nossa identidade cultura, e esquecer nossa cultura é esquecer quem somos.

O que for destruído será perdido para sempre, restando apenas o eventual registro iconográfico e a memória particular daqueles que viram com seus próprios olhos determinado monumento. O que nos resta fazer é reconhecer a importância do patrimônio remanescente, conscientizar a população de sua importância coletiva, mudando a concepção antiga de que coisa velha não tem importância e cobrar das autoridades responsáveis a correta preservação de tudo aquilo que tiver relevância para a história coletiva e da região.

Farroupilha está no centro da serra gaúcha, teria potência para ser um grande atrativo no meio de Caxias do Sul e Bento Gonçalves, mas culturalmente está sumindo no meio delas, não chegando nem perto de cidade bem menores como Carlos Barbosa e Garibaldi, em outras palavras, Farroupilha está se tornando apenas um munícipio que tem de passar para chegar aonde se quer ir de fato.

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Por Luís Jean Lemes.

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