Beyoncé: o álbum que revolucionou a indústria fonográfica
22/08/2019 17:47 em Crônicas

A data de 13 de dezembro de 2013 entrou para a história da música porque, exatamente neste dia, Beyoncé Knowles-Carter lançava o seu quinto e auto-intitulado álbum. Ele foi disponibilizado nos serviços de streaming sem nenhuma divulgação anterior.

Era “4”: o vazamento e o “flop”

Antes de chegarmos na era “Beyoncé”, vamos voltar dois anos no tempo, quando houve o lançamento do álbum “4”, no dia 24 de junho de 2011, mas acabou sendo vazado por completo, vinte dias antes da data de seu lançamento oficial.

Apesar de ter ficado em primeiro lugar na Billboard 200, é o álbum que menos vendeu ao longo de sua carreira. Até o ano de 2015 foram vendidos apenas 1,5 milhões de cópias nos Estados Unidos.

A estratégia de marketing

Como você viu, o álbum “4” vazou 20 dias antes do lançamento oficial e também não foi um grande sucesso. Com “medo” de que o fato se repetisse, Beyoncé começou a utilizar uma estratégia de marketing arriscada. Qual foi a estratégia? Não fazer nenhum anúncio ou divulgação tradicional, como, por exemplo, lançar um single carro-chefe e um videoclipe para o mesmo, meses antes de seu lançamento.

Assim sendo… Era meia-noite de uma sexta-feira 13, em dezembro de 2013, enquanto a maior parte dos brasileiros estavam dormindo, o “Beyoncé” era disponibilizado no iTunes sem nenhum anúncio. Quando as pessoas acordaram e acessaram a internet, o álbum estava liberado e ninguém havia entendido nada. Acharam que o mesmo havia sido vazado ou teria sido um erro da própria da plataforma.

O termo “álbum visual”

O álbum auto-intitulado é também visual. Todas as faixas ganharam um vídeoclipe. Os vídeos foram gravados em várias partes do mundo, como “XO”, que teve como cenário um parque de diversões em Coney Island, em Nova York. “Blue”, música que tem participação de Blue Ivy, filha de Beyoncé, teve seu vídeo gravado no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro e em Trancoso, na Bahia, durante sua passagem com a turnê The Mrs. Carter Show pelo país, em 2013.

A partir do lançamento do álbum auto-intitulado, o termo “álbum visual”começou a ser utilizado pela indústria musical. Os mais jovens não sabem, mas Beyoncé não foi a primeira artista a lançar um álbum visual. Os Beatles já faziam isso na década de 1960 com os álbuns “Hard Day’s Night” (1964) e “Help!” (1965). Pink Floyd também usou este recurso com o álbum The Wall, lançado em 1979 e o filme em 1982. E, ainda, Kate Bush com o álbum e curta-metragem The Red Shoes, lançado em 1993.

Mas, quem popularizou o termo “álbum visual” foi Beyoncé, tanto que, atualmente, outros artistas também fizeram álbuns neste formato, como Anitta com “Kisses” (2019) e Tiago Iorc com o álbum “Reconstrução” (2019). Três anos depois, a própria lançou novamente um álbum visual chamado “Lemonade” (2016), mas isso é outra história.

O impacto no mercado fonográfico

O anti-marketing de “Beyoncé” impactou muito na indústria. Antigamente o artista anunciava o álbum com vários meses de antecedência. No Reino Unido, por exemplo, a divulgação começava 4 meses antes do lançamento oficial.

Após o lançamento de “Beyoncé”, os artistas passaram, na maioria das vezes, a divulgar e lançar o seu single horas antes de ser disponibilizada nos serviços de streaming.

Beyoncé pode ter contribuído muito para isso? Pode sim. Com o lançamento de seu auto-intitulado álbum, ela mudou e ditou o comportamento da indústria fonográfica.

Os lançamentos ficaram mais imediatistas, sem aquela expectativa e ansiedade em torno um single ou um álbum. Por um lado isso é bom, porque, no mundo de hoje, as coisas realmente ficaram mais rápidas, as pessoas “querem tudo para ontem”. Em contrapartida, acabou com aquela “ansiosa espera”.

 

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Por Karine Salton.

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