Goin’ Electric: Como Bob Dylan mudou a história da música
16/07/2019 18:11 em Música

Em 1965, Bob Dylan já era considerado um dos maiores nomes do movimento de renascença do folk norte-americano, tendo lançado músicas como Blowin’ in the Wind (1962), A Hard Rain’s a-Gonna Fall (1963), e o hino social The Times They Are a-Changin’ (1964), ganhando o rótulo de porta-voz de uma geração. Nos dois próximos anos, porém, Dylan seria o objeto de críticas e controvérsias sobre a direção de sua música. No espaço de um ano e meio, Dylan lançou três dos mais influentes álbuns da história da música: Bringing It All Back Home (1965), Highway 61 Revisited (1965), e Blonde on Blonde (1966), trocando o tradicional acompanhamento acústico de violões e harmônicas do folk, por instrumentos elétricos, clássicos do rock and roll, impactando o futuro dos dois gêneros.

O álbum Bringing It All Back Home, lançado em março de 1965, foi dividido em duas partes, uma acústica, contendo músicas como Mr. Tambourine Man e It’s All Over Now, Baby Blue, e outra com Dylan sendo acompanhado por uma banda elétrica, com o rock Subterranean Homesick Blues, seu primeiro single a aparecer entre as quarenta mais tocadas da lista americana da Billboard.

Em julho de 1965, Bob Dylan tocou pela primeira vez com o apoio de uma banda elétrica, no Newport Folk Festival, um dos eventos mais importantes da cena folk norte-americana. Já tendo se apresentado no mesmo festival nas duas edições anteriores, a aparição de 1965 rendeu à Dylan vaias de fãs na audiência, e críticas de outros músicos da cena folk. Em protesto, Dylan só retornaria ao festival em 2002.

Bob Dylan e sua banda no Newport Folk Festival, em 1965

O icônico Highway 61 Revisited, sexto álbum de Dylan, foi lançado em agosto de 1965. Com a grande maioria de suas músicas acompanhadas de instrumentos elétricos, Dylan conseguiu combinar o teor social e político de seus primeiros trabalhos com o blues que inspira o nome do álbum, a Highway 61, rodovia que conecta seu local de nascimento, Duluth, Minnesota e a área do Delta blues do Mississipi. O álbum é hoje considerado um dos mais importantes e influentes álbuns de todos os tempos, sendo listado como o número quatro na lista dos 500 maiores álbuns da história pela revista Rolling Stone. Seu principal single, Like a Rolling Stone, foi considerada a maior música da história, pela mesma revista.

Dylan seguiu o sucesso de seu trabalho anterior com Blonde on Blonde, um dos primeiros álbuns duplos de todos os tempos, lançado em junho de 1966. Gravado em Nashville após um longo período de gravações, e mudanças na sua banda, o álbum foi muito bem recebido por críticos e fãs, chegando a ser certificado duplo platina. Carregando músicas como Visions of Johanna, I Want You, e Just Like a Woman, o disco cimentou Bob Dylan como um dos maiores nomes do rock and roll mundial.

Mesmo com o sucesso nas vendas e nas críticas, Bob Dylan continuou a sofrer resistência da comunidade folk norte-americana. Em 1966, o cantor embarcou em uma turnê mundial para promover seus últimos dois trabalhos, e Blonde on Blonde, que estava em processo de gravação. Dylan e sua banda, então conhecida como the Hawks, mas que posteriormente viria a ser conhecida como the Band, dividiam seus shows em dois sets: um acústico, e um elétrico. Na primeira parte, Dylan tocava alguns de seus primeiros sucessos, com acompanhamento apenas de um violão e harmônica. Na segunda, normalmente com um público significativamente menor, Dylan era acompanhado por instrumentos elétricos, onde era frequentemente vaiado e hostilizado, muitas vezes resultando em discussões com fãs, principalmente na Europa. Em julho de 1966, Dylan foi obrigado a abandonar a turnê, depois de um acidente de motocicleta. Ele não sairia em outra turnê até 1974.

Bob Dylan recebe, de Barack Obama, a Medalha Presidencial da Liberdade, em 2012

Apesar das controvérsias, a transição do folk para o rock'n roll fez de Bob Dylan um símbolo da contracultura norte-americana do final da década de 1960, e a ambiciosa mistura de gêneros, simbolismo, modernismo e poesia da trilogia de álbuns Bringing It All Back Home, Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde serviria de modelo para muitos artistas que ainda estavam por vir. Eventualmente, Bob Dylan se tornaria um dos maiores nomes da história da música e da cultura do século XX. Em 2015, Dylan foi listado número um na lista dos 100 maiores escritores de música da história. Em 2016, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, sendo o primeiro músico da história a receber o prêmio.

 

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Por Eduardo Hoff. 

 

 

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