NHL - Draft: como as equipes renovam seu elenco
01/07/2016 15:03 em Hockey


Por Loucos Pela NHL

Nos dias 24 e 25 de junho rolou o Draft da NHL 2016/2017. Draft… parece nome de bebida alcoólica, ou de algum tipo de exame médico. Nada disso, é apenas o sistema de seleção de novos jogadores da liga de hóquei, o mesmo utilizado na NBA, na NFL (a liga de futebol americano), liga de beisebol e maioria das ligas esportivas americanas. Pode ser traduzido como seleção ou recrutamento. E é importantíssimo para a manutenção do equilíbrio da liga — evitando que tenhamos, como no futebol, dominação de poucas forças, como Real Madrid e Barcelona.

Nas ligas americanas, as equipes não têm categorias de base. Isso até acontece nos clubes de hóquei europeus, mas não nas ligas americanas. Lá, quando uma criança quer praticar um esporte, geralmente procura uma liga específica para a sua categoria de idade. Às vezes são formadas por times de escola, às vezes por times independentes. O ponto crucial na carreira de um atleta são as ligas juvenis e/ou universitárias, que costumam ser o último nível antes do profissional. No final de cada temporada, as ligas, entre elas a NHL, abre inscrição para o draft e os atletas de ligas juvenis e universitárias ou de clubes internacionais se inscrevem.

O draft tem os seguintes critérios de elegibilidade: para americanos e canadenses, o jogador precisa ter entre 18 e 20 anos de idade — jogadores de 17 anos podem se inscrever, desde que completem 18 anos até determinada data, geralmente 15 de setembro. Para jogadores de ligas estrangeiras, qualquer idade é aceita, desde que seja seu primeiro draft.

O mais interessante é a ordem de escolhas dos times. Os primeiros a escolherem são os piores da temporada que acabou, ou seja, aqueles que não foram aos playoffs. Na NHL, são 14 os times que ficam fora dos playoffs. Para definir a ordem entre eles, uma loteria de probabilidades, onde o pior colocado tem mais chances de vencer, determina que time fica com a 1ª, a 2ª e a 3ª escolha. Após a loteria, as 11 escolhas restantes são distribuídas por desempenho, do pior para o, digamos, “menos pior”. Assim, o lanterna da liga terá, no mínimo, a 4ª escolha geral.

As outras 16 escolhas do draft vão para os times que foram aos playoffs e são distribuídas de acordo com suas colocações. O campeão escolhe por último. O sistema, então, permite que o pior colocado na liga selecione o melhor jogador enquanto o campeão, em tese, fica com o menos cotado. A longo prazo, resulta em equilíbrio de desempenho durante os campeonatos.

Esse é o sistema da primeira rodada e é repetido pelas rodadas seguintes. O último draft da NHL teve um total de sete rounds e 211 escolhas. Lembrando que, apesar dessa ordem determinada, os times podem negociar suas escolhas.

Os drafts acontecem sempre na sede de algum time. O de 2016 foi em Buffalo, cidade do Buffalo Sabres enquanto o de 2017 será em Illinois. E tivemos um caso curioso. Lanterna da temporada 2015-16, o Toronto Maple Leafs ganhou a loteria e recrutou o badalado americano Auston Matthews. Porém, diferentemente da maioria dos norte-americanos selecionados, Matthews não veio de uma liga juvenil ou universitária de sua região, mas de um clube europeu. E isso tem a ver com o sistema de elegibilidade explicado acima.

Em 2015, Matthews perdeu o draft por dois dias. É que completaria 18 anos em 17 de fevereiro, quando a regra exige que seja até 15. Teria, então, de jogar mais um ano nos juvenis. Em vez disso, optou por jogar profissionalmente na Suíça, pelo ZSC Lions, time de Zurique. Assim, já ia adquirindo experiência entre adultos, muitos deles ex-jogadores da NHL, além de ser treinado por Marc Crawford, técnico com experiência na NHL.

Matthews teve um ótimo desempenho na Suíça e confirmou o que os olheiros apontavam: seria a escolha geral de número 1 no draft da NHL. Grandes estrelas de outras ligas, como LeBron James na NBA, são frutos do mesmo tipo de entrada: os primeiros escolhidos dos drafts, quase sempre por um time que vem de campanhas ruins. Deles, espera-se que lidere uma reforma no time e, no futuro, o leve a conquistar campeonatos. Se o futebol usasse esse esquema, Messi provavelmente teria começado sua carreira no Real Murcia, lanterna de La Liga no ano anterior a sua estreia. Neymar? Pela Lusa, Ipatinga… ou quem sabe pelo Rio Claro ou Juventus da Rua Javari. Mas alguém aí realmente acredita que FIFA, UEFA ou CBF em algum momento se preocuparam com equilíbrio?

Mirem na América do Norte. A receita de como fazer campeonatos bons vem de lá.

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